Gato foi resgatado por uma protetoraPCDF/Divulgação - 18.03.2025
A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu o psicólogo de 30 anos suspeito de adotar gatos, torturá-los com experimentos e matar os animais. O homem foi detido preventivamente na noite desta terça-feira (25) pela Delegacia de Repressão aos Crimes Contra os Animais. A ordem de prisão foi expedida pela Justiça da capital do país após pedido da polícia que recebeu parecer favorável do Ministério Público do DF e Territórios.
O investigado foi indiciado 16 vezes pela prática de maus-tratos a animais e se condenado pode pegar até 5 anos de prisão por cada um dos delitos. Segundo a polícia, novos casos de maus-tratos envolvendo o psicólogo continuam surgindo e o número de indiciamentos deve aumentar com o avanço das investigações.
De acordo com as apurações iniciais, desde setembro do ano passado, o homem teria adotado mais de 15 animais, que depois teriam desaparecido sem explicação. O morador do Gama selecionava os gatos de pelagem tigrada e utilizava um discurso protetivo e emotivo para convencer protetores e cuidadores a darem o animal para sua adoção.
No entanto, depois de adotados os gatos desapareciam sem justificativa. Áudios obtidos pela polícia revelam que o investigado dizia realizar experimentos com os animais, o que pode ter resultado na morte de alguns deles. Em outro áudio, ele menciona ter passado por momentos de surto, nos quais teria abandonado dois dos gatos adotados.
Em um dos casos, uma protetora de animais conseguiu recuperar um dos animais que estava com o suspeito. O animal foi encontrado com uma das patas fraturada e passou por cirurgia.
Como denunciar
A Delegacia de Repressão aos Crimes Contra os Animais pede que os casos envolvendo o psicólogo ou outros envolvidos em maus-tratos sejam denunciados. A recomendação é reunir algumas provas, como fotos, vídeos e testemunhos que possam auxiliar na apuração da Polícia Civil e que revelem o estado de abandono dos animais. Veja canais de denúncia:
Denúncias também podem ser feitas on-line (acesse aqui)
Dados preocupantes
Em fevereiro deste ano, o R7 mostrou em uma reportagem exclusiva que o número de ocorrências de crimes de maus-tratos contra animais no Distrito Federal cresceu 513% em menos de uma década. Os registros saltaram de 113, em 2016, para 693, no ano passado, segundo dados levantados via Lei de Acesso à Informação. No período, a Polícia Civil do DF instaurou 353 termos circunstanciados, 314 inquéritos policiais e 17 processos de apuração de ato infracional (entenda termos abaixo). Nos nove anos, 170 adultos chegaram a ser presos, enquanto 16 crianças e adolescentes foram apreendidos.
Delegado-chefe da DRCA (Delegacia de Repressão aos Crimes Contra os Animais), Jonatas Santos diz que o aumento de registros está ligado ao trabalho desenvolvido pela polícia.
“Esse trabalho tem fortalecido a confiança da população na atuação policial. As pessoas hoje acreditam que, ao registrar uma ocorrência, os fatos serão devidamente apurados, e os responsáveis, responsabilizados. Além disso, a divulgação das ações da DRCA e a intensificação de operações e resgates contribuíram para ampliar a conscientização social e estimular as denúncias”, afirma.
O Distrito Federal foi a primeira unidade da Federação a criar uma delegacia própria de investigação dos crimes contra animais. A DRCA foi inaugurada em agosto de 2023 e aceita denúncias pela internet e pelo telefone 197.
“Desde sua criação, a delegacia tem desempenhado um papel fundamental na proteção dos direitos dos animais, atuando em investigações, resgates e punições de responsáveis por maus-tratos. A unidade tem se destacado pela agilidade nas operações”, defende o delegado-chefe.